14/08/2018

Nossa Senhora e os “desterrados” de Jundiaí

Na primeira metade do século XVII, a região que hoje é Jundiaí estava sendo ocupada por descendentes de portugueses que vieram tentar a sorte e povoar essa parte do então Império português. Alguns deles construíram, no alto de uma colina entre os rios Guapeva e Jundiaí e o córrego do Mato, uma pequena capela.

E escolheram como padroeira Nossa Senhora do Desterro.

A Mãe de Deus, para os católicos, pode ter várias invocações: Nossa Senhora da Conceição, do Bom Conselho, Aparecida, de La Salette, Lourdes, Fátima, do Perpétuo Socorro… Isso faz parte de uma tradição muito antiga da Igreja.

Um desses títulos de Maria tem a ver com uma passagem de sua vida: a fuga para o Egito. Ela, seu marido, São José, e o recém-nascido Menino Jesus, estavam sendo perseguidos pelo rei Herodes. A Sagrada Família foi “desterrada”, portanto, e se refugiaram em outro lugar por alguns anos. Essa é a origem da invocação de Nossa Senhora do Desterro.

É uma devoção especial, daqueles que não têm pátria e que precisam manter a esperança no futuro… tudo isso em terra estranha, estrangeira. Era o caso dos portugueses, que aqui vieram (e que ocuparam uma terra que já tinha seus moradores nativos – isso é uma outra história, fundamental para não esquecermos o passado, seus erros, e irmos em direção a um futuro melhor), dos africanos (que foram escravizados e forçosamente desterrados: não tiveram opção ao serem tirados de suas casas e trazidos violentamente para o Brasil) e também, muitos anos depois, dos primeiros imigrantes italianos, que também fizeram a história de nossa região (saíram da situação de penúria na terra natal e, cheios de esperança, vieram em busca de uma vida melhor). Todos eram, à sua maneira, desterrados.

Além desses, outros tantos vieram: japoneses, espanhóis, ingleses, alemães… E todos encontraram aqui, independente de crença, alento para as dificuldades, esperança, a possibilidade de um futuro promissor e trabalharam para a grandeza de Jundiaí, essa terra querida e próspera.

Que o dia da Senhora do Desterro, nossa Santa Padoreira, nos torne pessoas melhores.

Para os católicos, um momento especial, de espiritualidade e reflexão sobre o significado da dor do desterro e, por isso, saber acolher os irmãos, independente de suas origens, auxiliando-os a ter, em novas terras e realidade, uma vida melhor.

Para os não-católicos, além de um feriado (que é sempre bom, convenhamos), esse dia deixa um convite à tolerância, à concórdia e à empatia com a realidade do outro.

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